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Araraquara, 20 de novembro de 2008
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008 Inter: Hillary pede união de partido Às 16h47 locais (19h47 de Brasília) de hoje, Hillary Clinton acabou -oficialmente, ao menos- com o drama que se arrastava desde o final de junho. Como uma das representantes da delegação de Nova York, a senadora propôs que fosse interrompido o processo de chamada pelo qual o partido ouve os votos de seus delegados Estado a Estado e sugeriu que Barack Obama fosse aclamado o candidato por unanimidade.
Um minuto depois, pela voz da presidente do Congresso, Nancy Pelosi, e em meio a aplausos e gritos de "sim, nós podemos'', o democrata Barack Obama, 47 anos, se tornou o primeiro negro a concorrer à Presidência dos EUA por um partido majoritário. Acabava assim a catarse prometida por Hillary a seus eleitores.
O processo de purgação por que passaram os 18 milhões de eleitores que escolheram a senadora durante as prévias do partido, que acabaram vencidas por pequena margem por Obama, começara na noite anterior, quando Hillary fez seu discurso de apoio ao rival.
Nele, havia afirmado inequivocamente: "Barack Obama é meu candidato. E ele tem de ser nosso presidente''. No fim da fala de 23 minutos, diria: "Esta é nossa missão, democratas, vamos eleger Barack Obama presidente dos EUA.''
Nas horas seguintes, o discurso seria analisado palavra por palavra, e significados ocultos e teses as mais diversas pululariam pela internet. Uma delas foi logo abraçada pela campanha de John McCain.
Ela se referiu a si mesma mais de dez vezes e não disse nenhuma vez que Obama estava pronto para liderar nem que estava preparado para ser comandante-chefe do país, disseram os republicanos. Analistas conservadores chegaram a enxergar na fala uma plataforma para a candidatura da ex-primeira-dama em 2012.
Com sua aparição no chão da convenção hoje, no entanto, Hillary ajudava a calar a crítica. Hoje à tarde, ainda, ao pedir a unanimidade em torno do nome de Obama, diria que os eleitores devem "ter seus olhos no futuro'' e que "no espírito de união, vamos declarar juntos com uma só voz, aqui e agora, que Barack Obama é nosso candidato!''
Ainda hoje, os principais discursos serão do candidato a vice-presidente, Joe Biden, que encerraria a noite, e do ex-presidente Bill Clinton, o orador de destaque de uma noite generosa em nomes importantes do partido -como o ex-candidato derrotado de 2004, senador John Kerry e o governador do Novo México, Bill Richardson.
Há apreensão em relação ao que o ex-presidente falará. Desde que chegou a Denver, Bill Clinton tem evitado elogiar Obama e na noite de ontem, pela segunda vez, fez críticas indiretas ao candidato que derrotou sua mulher. Foi durante uma festa após o discurso de Hillary. "Esta eleição não é sobre um político'', disse ele. "Nós realmente não temos uma escolha aqui, não há uma opção.''

Folhapress
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