Araraquara, 09 de fevereiro de 2010
domingo, 6 de julho de 2008
Guinada à direita gera dúvidas sobre Obama
Em busca de votos dos moderados, senador ignora plataforma progressista
AFP
Obama: posição mais conservadora sobre a presença norte-americana no Iraque
Barack Obama tem deixado a direita perplexa e a esquerda indignada. Em busca do voto do eleitor norte-americano moderado, o senador democrata vem abandonando um a um pontos da plataforma progressista que lhe valeu a indicação virtual a candidato da oposição à sucessão de George W. Bush.
A guinada conservadora começou já no dia seguinte ao que declarou que era o escolhido de seu partido, em 3 de junho, quando discursou ao lobby israelense e disse que Jerusalém era indivisível, uma posição hoje só defendida pela direita de Israel. Mas vem se intensificando nos últimos dias e promete se prolongar.
Só na última semana, Obama apresentou uma versão mais conservadora de sua visão para a Guerra do Iraque, a lei que regula os métodos de espionagem eletrônica implantados por Bush, os programas federais de apoio a grupos religiosos e o direito ao aborto.
Um dos primeiros políticos a criticar publicamente a invasão norte-americana, Obama disse na quinta que “ajustará’’ seu cronograma de retirada das tropas americanas do solo iraquiano, antes de até 16 meses.
Dias antes, avisara que votaria a favor de medida que atualiza o Ato de Vigilância de Inteligência Estrangeira (FISA). A lei exime as companhias telefônicas de culpa retroativa por terem permitido escutas não amparadas por mandado judicial; Obama era contra a ampliação.
No mesmo dia em que fez o novo discurso sobre o Iraque, veio a público uma entrevista que deu à revista cristã Relevant. Nela, diz que “sofrimento mental’’ da mulher não é justificativa para o aborto tardio, prática restrita por lei federal. A posição contraria sua defesa anterior e as organizações pró-aborto, que apoiavam Hillary Clinton e passaram a apoiar Obama quando ele venceu.
Obama criticou ainda decisão recente da Suprema Corte de não permitir pena de morte para estupradores de crianças e não criticou outra decisão da corte que na prática suspende a proibição de porte de arma em Washington, contradizendo de novo declarações anteriores.
Por fim, em discurso feito em Ohio, afirmou que não só vai continuar os polêmicos programas federais de Bush de auxílio à ação de grupos religiosos como pretende expandi-los.
É comum que, uma vez consagrado candidato, o aspirante à Presidência dos EUA caminhe para o centro do espectro político, em busca de ampliar sua base de eleitores. Aconteceu com Ronald Reagan, que assinou uma lei ultraliberal pró-aborto nos anos 60, ainda como governador da Califórnia, para depois se declarar contra a prática, em sua corrida presidencial, décadas depois.
Vem acontecendo o mesmo com o senador John McCain, oponente de Obama, mas em sinais semelhantes ao do democrata, por conta de sua biografia independente. Também o republicano vai para a direita vindo de posições mais progressistas. Era contra construir muro no México como medida antiimigração ilegal, por exemplo, e agora se diz a favor.
“O perigo aí é Obama repetir o erro de Al Gore em 2000'’, disse Mark Weisbrot, co-diretor do progressista Centro para Pesquisa Econômica e de Política, de Washington. Para o analista, o então candidato democrata não conquistou o eleitor independente e acabou alienando parte da base de seu partido. “Os moderados costuma votar na pessoa, e não na proposta. Se percebem que a pessoa não parece acreditar de verdade em nenhuma proposta, votam no adversário.’’ (Folhapress)